Observar é algo prazeroso , por algumas vezes , por outras é algo impossível de não se fazer , algo inevitável mesmo , principalmente , nas ações cotidianas que nos cercam , tais como : andar no transporte público , caminhar a pé pelas ruas do bairro , ir ao supermercado , esperar em filas de banco , açougue , atendimentos mil em estabelecimentos comerciais... enfim.

E nessas observâncias é possível perceber o quanto somos seres individualizados e , chegamos , por certos momentos , a sermos até primitivos , instintivos em nossas ações diante de outras pessoas , ações do tipo - cada um por si - pautadas pela base do egoísmo mesmo e da pura falta de educação , solidariedade , importância e descaso. Descaso com tudo e com todos , com o ambiente em geral e com as pessoas que nos cercam.

Se estamos aqui , dispostos em sociedade , sugere-se ou supõe-se que haja um motivo para tal , haja um motivo que nos leve a isso , fundamentalmente e em minha consciência acredito que seja para aprender que estamos assim , aprendermos a respeitar as diferenças e as individualidades simultâneas que nos cercam em meio ao mundo que nos envolve.

O noticiário da televisão é sempre muito catastrófico e deve ser evitado por pessoas muito sensíveis , pois , em certos dias , assim como o de hoje , as notícias divulgadas giram somente em torno de agressões e de desentendimentos , brigas de trânsito , assassinatos e outras coisas com as quais a sociedade como um todo já se faz tão acostumada e sequer se choca com o que vê e pode assistir a tudo isso incólume mesmo que esteja desfrutando de seu horário de almoço. Algo assim como tanto fez , tanto faz e é assim que a banda toca , não muda nunca ! Claro que não muda se nós não mudarmos também.

As perguntas que ficam são : Até quando a humanidade se dirá disposta a agir assim , desses modos tão individuais , pensando em si mesma , olhando ao redor e não se inquietando com as situações do outro ? Até quando vamos querer ficar sentados , como meros telespectadores da nossa própria sorte sem sequer mudarmos inicialmente a nós mesmos para garantirmos um futuro diverso deste que desfrutamos neste momento ? Até quando podemos não nos sensibilizar com a agressão gratuita , com as repulsas baratas que semeamos ao longo de nosso dia , com as falsas importâncias que damos ao mundo tão material e ao pouco que decidimos dedicar ao nosso próximo desconhecido que por nós , passa todos os dias despercebido de suas necessidades. Dar de ombros é sempre mais cômodo que agir e pensar sobre isso deve doer um pouco.

