"Faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante. Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vidinha isolada do passado...e nos perderemos no tempo... Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo : não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades... Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores...mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos !" - Vinicius de Moraes



sábado, 28 de setembro de 2013

Quem vai curar seu coração ?

Em certos momentos da vida seria ótimo um remédio para o coração... Algo eficaz, que fizesse efeito imediato... Ou mais inusitado ainda e eficiente se o coração fosse um dispositivo do tipo pen drive, em que pudéssemos adicionar e retirar os arquivos que bem entendêssemos, e assim, estaríamos apenas selecionando os seus melhores momentos e deixando as lembranças boas da vida. 

Mas infelizmente não é assim que acontece e dores vem e vão, tristezas vem e vão, descompassos acontecem pelas beiras do caminho e somos obrigados a conviver com todo o tipo de dor. É fato, se curam com o tempo, mas quem dera esse tempo passasse muito rapidamente, coisa de cinco segundos e lá está ! O novo coração em folha a nos aguardar com outras histórias, outros sorrisos, outros abraços, outras pessoas ! 

O coração é um músculo involuntário, já diz Marisa Monte sabiamente... e nessa sua involuntariedade crescem nossos amores e ilusões que se perdem pelo destino... Sabiamente deveríamos usá-los, ou melhor, mais, bem mais racionalmente deveríamos saber usá-los, mas, de certa forma agimos com a racionalidade de nossa irracionalidade ao não sabermos domesticar o próprio coração e deixarmos nossos mais nobres sentimentos à mercê de outrem... 

Enfim, coração é terra desértica e não asfáltica. Coração é músculo e por isso mole por si só, desconjuntado, desconfigurado, com as fibras todas necessitadas de exercício cotidiano para aprender a ser melhor, mais forte, mais rijo e nos ajudar a sermos mais inteligentes... O coração vai se curar... pelo tempo que se fizer necessário, sim... O coração ficará novinho em folha... O coração será a estrela ressurgida em meio ao caos... Somente através dos filtros do coração é que se destilam as melhores emoções dessa vida. Então, calma, coração... E se cuide ! 

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

De uma alma imensa

Talvez o problema seja sentir tanto e sempre...
Mas sentir num grau demasiado, como num êxtase da própria vida que pulsa aqui dentro, de forma tão intensa que jamais dará para medir de fato. E é sentimento que não acaba mais, é como se o mundo me invadisse o peito e transbordasse... E tudo num calar, num silenciar, que ao mesmo tempo em que tortura também alivia, castiga e também clareia, esmaga e também modifica, tritura e também transforma.

É coisa de alma e coração, de se apaixonar e sentir de forma insana.... Quem ama, sabe... e como sabe...
Essa coisa da vida é toda tão mágica na sua incerteza e imensidão ! 
Ora estamos aqui, ora não estaremos mais... E no meio tempo a gente vai vivendo e se equilibrando como pode, como acha que deve, como pensa que poderia ser...

E dessa vida que deveria ser um remanso a gente faz teia, a gente pinta e a gente borda, mesmo dentro da gente a gente colore tudo e descolore também...
E no instante em que pensamos que tudo poderia ser mais tranquilo, que a rota entraria no eixo, alguma coisa acontece e muda para sempre o destino, te tira do prumo, desvia o pensamento e todas as ações...
A vida é mesmo instante que tudo provoca. A vida é mesmo isso que nos coloca de cabeça pra baixo. A vida não traz respostas, apenas aquece nossas perguntas e diz, olhando nos teus olhos: "agora é com você... vai lá e faz..." e não adianta representar, mentir ou fingir, porque ela é ceifadeira de gente enganosa e só dá fé e troféus para quem é verdadeiro e de verdade. Consigo mesmo e com os outros.
A vida está aí, está aqui, está hoje na gente e é isso... Enquanto ela passa, vários sonhos também com ela se vão...

E a alma vai ladeando o caminho e buscando acender a sua intensidade a iluminar os passos e os recantos dessa nossa vida imensa e tão intensa, que nos regozija a cada minuto, a cada tempo, a cada espaço e movimento.
E na vida minha, na vida tua, menor sejam os espaços dos lamentos e maiores sejam os ventos que nos tragam boas novas, que nos retornem os sorrisos e os abraços, tão fartos, desses que nos fazem falta e nos iluminam o profundo vão do coração. 

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Talvez seja isso que está me fazendo falta...

Quanto tempo sem vir, quanto tempo sem escrever, quanto tempo sem passar por mim... A vida apenas segue assim: tem passado e com ela tem passado também muitas coisas ! O tempo, os dias, os meses, os anos e ela própria. A gente nem se dá conta de nada, de coisa alguma e a própria vida nos toma de assalto ! 

Foram muitas as mudanças de lá pra cá. Daqui pra lá a gente ainda nem sabe ao certo como vai ser... Uma xícara de chá ou café, um livro novo que nos conta histórias parecidas com as que vivemos, os corações que nos trombam todos os dias e levam para si um pouco de nós, os nossos espaço tempo tão assaltados de nós mesmos, aquelas músicas rodando na cabeça já não são aquelas que ontem nos fizeram sorrir, hoje elas nos fazem lembrar do que poderíamos tranquilamente esquecer.

Será que se eu tentar retomar toda a vida que deixei aqui, terei de volta aquela essência imprescindível? Será que se eu começar a tomar o rumo certo das minhas palavras, ordenando cada ideia que teima em sair do meu coração, esse tal caminho da felicidade chega de verdade?
São muitas dúvidas para pouco tempo, são muito tempo para tantos nadas, são quase nada e ainda nem sei do que será aquilo tudo que eu trazia ontem aqui dentro. Parece um paradoxo sem fim essa coisa de não viver sem ter vivido o que sonhei ! 
Não sei também se me fiz entender...

Quer saber ? Ando cansada... a verdade é essa. Cansada de mim, do mundo, das pessoas, do todo e do nada... cansaço de não conseguir guiar o próprio leme da vida e sei que esse texto de hoje vai parecer meio rançoso, meio dolorido, meio sem sentido ou muito problemático. E ele não deixa de ser um retrato de mim nesse momento. Porque é. 

A vida vai assim, sem muito pensar, sem muito guiar... São e foram tantas teorias glorificadas e ao final o balanço foi um só... único e real... o de que por mais que se tente esquecer, aquilo que teimamos em lembrar gira como disco riscado cortando, dilacerando a alma, até endoidar a gente. 
E se a gente não cuida de permanecer são, a vida vem e derruba direitinho... A vida ou a gente, que despreocupadamente não atina para o resultado da má escolha. É, se olhar bem, a gente se mete em encrenca porque quer, e também deve usar da mesma fórmula para sair dela, se entrou deve sair... essa é a lei, nada dura para sempre, nem mesmo o mais profundo erro. 

Que conversa mais doida, mais extensa... mas sei que está me fazendo bem, está me fazendo engrenar as ideias e os pensamentos e vai ficar melhor a cada dia, com a volta, com o retomar do próprio leme do caminho... 
E que a vida nos brinde, daqui em diante, com o melhor, não aceito menos do que isso... e nem ninguém deve aceitar. 

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Do pó da vida e das palavras

Quanto tempo não discorro por entre as palavras, por entre escritos tão perdidos? Nem sei mais... Aqui é um lugar em que pouco tenho vindo, poucas são as ideias que me assolam e querem escorrer das mãos... Porque a vida segue em seu curso intenso e profundo... Atitudes, trabalhos, estudos, livros findos, histórias e amigos novos que chegam, sentimentos que descobrimos, outros que reencontramos em nós e assim é... Porque tudo flui e nada estanca, assim como os dias que passam por nós e nos levam o tempo. 
Mas é preciso, principalmente nesta época do ano, tirar o pó da vida, o pó das palavras que deixamos de usar, dos sentimentos inobservados. É preciso tirar o pó dos ombros que carregam o peso da vida, é preciso tirar o pó dos minutos que perdemos pensando na vida que já passou. E que não volta. O pó das palavras que não dizemos, o pó dos versos que não ouvimos, o pó da música que silencia em nosso interior. O pó dos nossos olhos que, todos os dias, veem os mesmos trajetos, o pó dos caminhos por onde passamos. Se observar ao redor, veremos a névoa daquilo que mantemos suspenso, guardado, esperando o momento. 
No fim do ano fazemos um balanço e retomamos, pouco mais à frente a estrada dos sonhos, porque o fim do ano parece ser a época mágica ! É a época em que imaginamos, tão fortemente, que todos os nossos problemas, todas as nossas dores, todos os nossos desejos virarão realidade amanhã ! O fim do ano traz sempre muita esperança. O fim do ano faz a alegria até dos muito pessimistas, pois sempre há a crença de que, pelo menos janeiro, será melhor. Mas é... 
Mas não por conta do ano novo, e sim, por conta do acreditar, por conta da fé, por conta do querer ser melhor que há no novo tempo que acaba trazendo pra fora a força real. 
Dia desses me questionei sobre o tempo... O tempo que queremos a mais, para quê ? Para trabalhar mais ? Para amontoar mais ? Para organizar mais ? E o que é o tempo ? O tempo é algo que quanto mais precisamos, menos temos... E quanto mais temos, menos usufruímos ordenadamente.
Portanto, tiremos os pós da velha vida, guardemos as maiores esperanças para os dias vindouros, e levamos a fé em nossos corações. Que possamos falar mais palavras empoeiradas que traduzam sentimentos felizes. Que possamos dizer mais palavras de amor, que possamos desenferrujar sentimentos e sorrisos guardados, que possamos limpar e lustrarmos mais amizades. Que possamos tirar o peso do pó da vida que estamos levando, não se sabe aonde, mas que esta mesma vida se refaça e se lustre do brilho da esperança de nossas magias e sonhos mais coloridos. Para corações menos empoeirados e estocados no fundo do peito, uma grande limpeza de final de ano é preciso ! 

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Há tempos

Há tempos não escrevo e não passeio por aqui... Nessas correrias da louca vida, muitas coisas aconteceram desde a última visita. 
Mas há coisas que não mudam : o coração a espera do amor, a vida que corre por entre os dedos, o tempo que passa por detrás das janelas do carro, do ônibus, do metrô, da casa, a comida que absorvida pela pressa nem se apetece do corpo, o resto do corpo cansado que se deleita ao sofá e dorme profundamente ao fim do dia extenso, das músicas que se ouve entre um intervalo de vida e outro... Sim, porque nossa vida sofre de intervalos, sofre de escassez de um tempo que nunca termina mas que sempre parece insuficiente para tantos deveres. 
E os olhos buscam incansáveis textos, incansáveis enredos para sua trajetória. E os braços que não repousam e estão sempre por se debruçar em cima de possíveis sonhos. A boca que omite todos os seus segredos, daqueles os mais inconfessáveis que permeiam o azul do nosso pensamento. Segredos tão bons, mas que se fossem ditos, talvez, interrompessem o ciclo da vida causando escândalos aos menos incautos. 
Da vida que não muda restam sempre os sonhos, as viagens, os lugares novos e os caminhos que descobrem outros lugares. Outro dia mesmo, mudando uma simples rota acabei por viajar em metros de distância de minha própria casa e vi meu bairro construindo-se completamente outro bem em frente a mim. 
O coração também enfeita-se e molda-se ao compasso de um tempo vasto, solitário, cadenciado. O coração é um vilão alado, vez que sonha loucamente em seu mundo fantasiado e colorido. Reveste-se e enfeita-se de sonhos tão inesperados quanto as histórias que inventa de si mesmo. Por vezes chora, por sentir-se solitário, por vezes reluz e colore-se dos dias mágicos que recebe através dos olhares que o enriquecem. 
E assim, a vida segue, por aqui amigos passam, amigos antigos, novos, se deixam e o caminho é o mesmo, embora a vida, esta, seja outra. Diferente, porém com a mesma intensidade e busca de si mesma. 

domingo, 22 de julho de 2012

Dos meus amigos

Amigo é aquela pessoa que chega e nem nos damos conta... porque quando vemos ele já está ao nosso lado há um tempão, nos contando muitas coisas e resolve ficar... Mas não fica por obrigação, fica por afinidade, fica por gostar do nosso papo, da nossa companhia, fica por dividir um pouco da vida dele e também por prestar atenção na nossa e ver que, mesmo andando por caminhos diversos, os sonhos, os pensamentos, os ideais e muitos gostos são bem parecidos, senão os mesmos.
Mas também temos os amigos diversos, daqueles que quando queremos e pedimos um conselho, sabemos que eles não irão passar a mão em nossa cabeça, irão sim, olhar no fundo de nossos olhos e dizer : eu te avisei ! Mas não tem problema, vamos lidar agora juntos com isso, vem cá me dá um abraço que tá tudo certo... e leva a dor da gente com ele para sempre.
O amigo está sempre a nossa disposição, mas como li outro dia, não para as nossas horas vazias, horas em que queremos apenas uma distração... Não... ele está disponível porque sabe que quando precisar, também estaremos para ele e, num piscar de olhos, batemos nossas asas invisíveis e conseguimos chegar onde ele está.
Um amigo pode estar longe da gente, pode ser assim como Deus - também li isso pelas Redes Sociais - nós nunca o vimos e não o conhecemos, mas o sentimos dentro da gente... E um dia calha de nos conhecermos pessoalmente, de nos abraçarmos e darmos continuidade a amizade do lado de fora do computador. Já fiz vários amigos assim, que hoje são parte efetiva da minha vida sem sombra de dúvidas !!
Amigo é quem está conosco, quem sabe o nosso caminho, quem torce e sonha junto com a gente, quem divide a própria felicidade, além da vida, dos sonhos dele e das dores pelas quais ele passa e chama por nós. Amigo é o irmão que não nasce da mesma mãe e nem do mesmo pai, mas é aquele que a vida se encarrega de fazer trilhar por um caminho que vai dar exatamente no ponto exato da vida em que a gente se encontra e passa a caminhar junto... Amigo de verdade é para sempre, não importa o tempo que passe e nem o que aconteça. A vida não separa e o sentimento de gratidão e de amor é eterno, mesmo porque Mario, o querido Quintana, sabiamente disse ser a amizade um amor que nunca morre.
Se sou mais feliz hoje é porque tenho pessoas especiais em minha vida que posso chamar de amigos ! E os amo com toda a força do meu coração.

Da força e da intensidade em acreditar

Tem certos momentos na vida em que não há nada a se fazer... a não ser confiar que o melhor está por vir e que inevitavelmente irá acontecer. Temos a irrestrita mania de querer controlar todos os passos, todos os momentos, todos os sentidos sempre voltados ao futuro, ao passo seguinte, aos movimentos calculados. Mas chega um momento, um episódio, em que não há o quê se fazer porque nada do que for feito definirá qualquer coisa, porque o que deve ser decidido não está mais em nossas mãos e sim, está na força maior que comanda nossa vida, nossos dias e nossos destinos. 
Essa força presente todos os dias que nos deixa acordar e viver é a responsável pelo mecanismo que comandará os passos ali das nossas ações. E é dessa semente que surgirá nossa sorte, sendo sorte aqui no sentido de destino. É um deixar o mágico acontecer, deixar que as energias sejam renovadas, deixar que a semente seja finalmente germinada, uma vez que nela já impregnamos nossa vontade, nosso desejo maior e cabe agora nos fazer esperar para recebermos sua semeadura. 
Mas esse resultado só obtém aquele que acredita, aquele que tem fé na vida e aquele que sabe esperar pelo seu momento. Ele já fez por merecer, ele já levantou cedo todos os dias e arou a terra, escolheu a safra das melhores sementes e as lançou. Agora segue o tempo da espera, porque ele acredita, porque ele tem fé. 
Por mais improvável e absurdo e louco que possa ser seu resultado, ele assim deseja e espera, porque o que está implícito na sua vontade e nos desígnios de Deus é o que corresponde ao que se fará de melhor em sua vida. Por mais difícil que tenha sido a estrada trilhada para se chegar ao caminho que se abriu a frente, ele percorreu, destino por destino, pegada atrás de pegada, jornada atrás de jornada até conseguir se colocar no lugar exato no extremo minuto de um tempo certo. Um tempo que não é seu, não é meu, não é nosso : mas um tempo que é de Deus e que se preestabelece acima de todas as coisas. E que assim seja !