"Faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante. Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vidinha isolada do passado...e nos perderemos no tempo... Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo : não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades... Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores...mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos !" - Vinicius de Moraes



terça-feira, 26 de julho de 2011

Meditações

No começo do inverno fui acometida de uma gripe , daquelas boas mesmo , de derrubar a gente e nos colocar a nocaute na cama , sem conseguir ânimo e forças para nada , sem querer acordar e tirar o pijama , daquelas que devem ser acompanhadas de muito chá quente e suco de laranja para se recuperar totalmente. Uma gripe que não via há anos por aqui , mas enfim , ela deu o ar de sua graça e me tirou de cena por alguns dias , me deixando longe das caminhadas matinais que tanto adoro. Aproveitei a preguiça e emendei umas férias de quase um mês longe do parque e longe da caminhada e hoje retomei porque meu corpo já se ressentia de tanta distância daquele lugar tão nosso...



E lá no parque em meio as árvores e ao sol lindo da manhã que fez hoje meditei caminhando , como sempre fazia e como gosto de fazer. Meditei deixando a música invadir minha alma e o sol tomar o rumo do meu corpo me alinhando novamente com toda a imensidão do Universo ao meu redor , daquela energia que só as manhãs de sol produzem e tem a capacidade de nos renovar e nos acarinhar por inteiro : desde a primeira raiz do fio de cabelo até a pontinha do dedão do pé ! E a energia nova pareceu recarregar todas as baterias que já estavam arregadas , que já estavam desfeitas !


A sensação é de paz intensa porque é só ali naquele momento de meditação e de comunhão comigo mesma que cessam os barulhos internos que ontem me alucinaram durante todo o dia. É só ali naquela imensidão do mundo traduzida pelos anos das árvores ali semeadas , que meu destino entra nos eixos e eu consigo enxergar a vida com olhos mais lúcidos. Enfrento a mim mesma , meus dragões e bichos internos , minhas ressequidas mágoas e meus deslizes , percebo quanto ainda há de ser mudado em mim mesma para que a minha volta receba toda a paz que eu sinceramente busco ver ressoar...


Nas meditações me perco , mas também me encontro logo mais lá na frente , renovada de fé e crescida em esperanças. Tentando equilibrar meus pontos mais vulneráveis , querendo ser eu mesma sem me provar ou sem ter de provar ao mundo que sou humana , sou imperfeita e assumo meus erros e minhas ilusões tão permeadas. Posso observar o quanto ainda é ingênuo meu coração , que mesmo algumas vezes sendo enganado e espizinhado , não perde a vontade de amar , não encerra a fé nas pessoas e sempre acredita que tudo pode mudar para melhor , mesmo quando tudo parece estar perdido , a esperança nunca morre aqui dentro. Foi muito bom poder me reencontrar com tudo isso e comigo , principalmente !

Um comentário:

C. disse...

Contraditório olhar essas fotos, aí que é inverno, com esse ceu lindo, limpo, azulzinho, e comparar com o daqui, verão, cinza, frio, chuva hehe
Ai Van, só a base de esperança e fé. Digo isso pra marido ele endoidece. Mas se esperar sair um sol pra se "refazer", tá danado.
Tinha hábitos mais saudáveis aí, mas aqui o clima simplesmente impede.
E a questão de silenciar nossos barulhos internos, nada melhor que uma caminhada, um dia de sol... enquanto o sol nao vem aqui, eu me contento e me refaço vendo essas fotos e lendo seus desassossegos.