Como definir, como traçar ou mais pontualmente ainda, como descobrir os caminhos que levam ao coração de alguém ?
Seja para o que for...seja para dizermos "adeus, nosso amor acabou" (difícil, mas extremamente necessário para se encerrar o que não tem mais razão de ser...) , seja para falar "oi, eu cheguei e estou aqui, posso te dar meu carinho?" ou seja para apenas encantar e dizer que a vida pode e deve ser levada de um modo muito mais doce, mais suave, mais leve...que pode ser mais colorida, mais infinita, menos responsável e mais gostosa...
É pelo coração que encaminhamos e dizemos todas essas coisas e o melhor é que tudo seja feito de mansinho, aos poucos, sem até que se possa notar...no caso do amor que chega, pois, no caso do amor que deixa, que está partindo, se faz necessária uma certa urgência para que o tempo não torne mais insuportável ainda a relação que já deixou de existir.
Para o amor que entra, aos poucos vamos nos achegando, nos demonstrando, nos abrindo e...quando o outro (e até nós mesmos) se dá conta... preenchemos todos os espaços ali, antes vazios, tão sem graça, tão sem cores e sem alegria.
Mas esses caminhos do coração nem sempre são fáceis, nem sempre estão acessíveis, nem sempre estão abertos ao nosso contato e, por mais que tentemos, encontramos as portas fechadas, realmente blindadas, um corredor escuro e extenso que nos surpreende pelas paredes úmidas, um tanto quanto mofadas a nos desenhar um terrível cenário. Até mesmo alguns rochedos poderão ser encontrados pelo caminho e a demolição e destruição de todas as pedras se faz necessária.
São os caminhos dos corações dilacerados, partidos e feridos por outros amores, por dores antigas, por perdões esquecidos e aposentados e que hoje estão decorados por teias de aranhas crescidas de tempos remotos e que lá ficaram por não permitirem mais o acesso de ninguém, por medo de sofrer novamente, por receio de novas desilusões, por terem se amargado da vida, por terem desistido de amar.
O acesso pode ser por meio do convivio diário, por meio da poesia, da música, da amizade compartilhada, dos afazeres em comum, do trabalho, das preferências descobertas em suas semelhanças ou das totais diferenças que buscamos como nossos complementos... Não importa...
Esses caminhos são muitos e diversos sendo, os mais obscuros , os que devem ser trilhados com mais cuidado, porque ao retirarmos o lodo, ao deslizarmos pelo limbo que ali se esconde e afastarmos as pedras, devemos limpar as feridas e realizar intensos curativos a fim de que se estanque o sangue, a fim de que se recobre a paz tão inatingível. O maior cuidado, a maior atenção, todas as ferramentas necessárias e ainda, depois de tudo, termos a certeza de que não seremos nós mesmos novamente os instrumentos que poderão, no futuro, machucar esse coração ferido com alguma ação...pouco provável saber, menos ainda previsível, toda cautela aqui se faz necessária e precisa, mas os riscos sempre existem (e é preciso correr os riscos do amor...) e fazem parte do viver.

Mas um aviso deve ser dado, antes de mais nada...só as dores é que nos enaltecem e nos fazem ensinar...através da dor nos fortalecemos e devemos, ao invés de com ela nos escondermos, devemos com ela nos libertarmos, seguir adiante, aprendendo e errando porque em matéria de amor só se aprende e se cresce, experimentando e sentindo todas as suas dores e delícias em cada nova oportunidade.