"Faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante. Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vidinha isolada do passado...e nos perderemos no tempo... Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo : não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades... Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores...mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos !" - Vinicius de Moraes



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terça-feira, 23 de agosto de 2011

O destino sempre brinca com o coração

Quando se pensa no amor , sempre vem a ideia de felicidade , de coisas muito boas , de sorrisos e abraços apertados , de laços entrelaçados como presentes a brindar toda a vida. Os momentos iluminados , sonhos que se compartilham e ilusões que se criam sempre fazem parte desse cenário , tão mágico !


Mas , muitas vezes , o amor esconde uma desliusão , um fim , um desfecho mal terminado , uma inconclusão... O amor não se prolonga , se encerra sem mesmo se consumar , e tudo deve ser deixado , abandonado , desapegado , "desamado".


Esses laços antes , tão fortalecidos , tão estreitos e que traziam sorrisos aos lábios , derramaram lágrimas por vezes e também desenharam destinos diversos dos tais idealizados... É preciso esquecer o amor , abandonar a paixão e , sem olhar para trás , fazer as malas e seguir , porque o restante da vida vai adiante... O amor seria algo só para os fortes ? Só para os muito fortes ? Ou para os que não tem medo de se machucar e encaram as durezas da vida de frente ?


E desse destino , que sempre brinca com o coração , como um amigo travesso , daqueles que sempre trazem traquinagens nas mangas das camisas , apronta das suas e , quando menos se quer lembrar , mais se faz impossível de esquecer tudo aquilo que não se viveu...


Muitas vezes , o amor parece exatamente mais difícil do que realmente se desejaria que fosse... os poetas que o digam ! Os poetas são aqueles que acreditam no amor , sem se importar se ao final da história sobrarão mais lágrimas ou dores , pois , o que importa mesmo é amar !

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Pelo Amor ou Pela Dor ?

É certo que nessa vida muitas coisas aprendemos e apreendemos e certos sentidos nos são semeados ao longo da jornada e , mais que isso , algumas vezes esses sentidos encontram raízes mais profundas e precisam ser apurados , melhor sedimentados e mais bem aproveitados durante nossa existência. Por isso são colocados em nosso caminho de duas maneiras : pelo amor ou pela dor.


O aprendizado é efetivo nos dois modos , entre os dois jeitos e cada qual irá decidir como melhor irá aproveitar o que sorver de suas experiências , quer seja pela ação do amor ou pela ação da dor.

Confesso que ambos são dignificantes , embora andem em polaridades diversas , em fundo , trazem a mesma essência , bebem da mesma fonte e não há como separá-los de uma forma mais eficaz porque todos nós sabemos que o amor sempre carrega em si mesmo algo de dor e a dor sempre derrama também , em determinado momento , um pouco de amor.



O importante é saber o que absorver da experiência , que lições tirar , o que definir após a situação terminada ou para onde seguir porque esses instrumentos sempre nos levarão a algum caminho , sempre nos abrirão algum horizonte indeterminado ou determinado para um lugar que deveremos atingir.

Pelo amor aparentemente as experiências parecem ser mais aprazíveis , mais apaziguadas , mais providas de afeto , de siginificado e de relevância. Só aparentemente , porque , na verdade , possuem a mesma profundidade e complexidade das experiências aprovadas pela dor.


Na dor o que mais aprendemos é como deixar de ser vítimas , é minimizarmos o tamanho do problema , uma vez que encontraremos pessoas em situações muito piores que a nossa com dores extremamente maiores e também o porquê daquela dor nos servir para algum tipo de aprendizado , tentando mesmo encontrar a raiz do problema e não apenas lamentar porquê tal tipo de efeito está acontecendo em nossa vida naquele momento.

Quer seja pela dor ou pelo amor , sempre é tempo de aprender e , mais ainda , sempre é tempo de crescer naquilo que buscamos , naquilo que esperamos ser e transformar nossas vidas. Devemos lembrar também que nem todo sofrimento é eterno e nem todo amor também deva ser , todas as coisas duram o tempo necessário que precisam em nossas vidas e os momentos existem para serem sorvidos enquanto houver importância , no mais , foram momentos que tornaram-se ternas lembranças de uma bela e profunda experiência...

sábado, 5 de março de 2011

O devido valor ao Amor

O que venho falar hoje aqui advém da minha própria experiência em relação ao Amor.

Muitas pessoas , quando amam , esquecem-se do outro que mora junto com elas dentro da relação. Explico.


O outro , geralmente , é aquele que ama , é aquele que faz tudo , que enobrece , que olha com ternura , que acalenta , que admira , que faz as vezes do amor dentro de um relacionamento. É aquele que se dá sem cobrar afeto ou reciprocidade , é aquele que tem uma intensidade e uma imensidão desmedidas quando ama e é capaz de suplantar todos os maiores defeitos do amado em prol de uma relação feliz , sabendo perdoá-lo tantas e quantas vezes forem necessárias para que esse sentimento possa sobreviver. Só que ambos : amado e ser amante , esquecem-se plenamente de que o amor não é uma via de um lado único , é uma via de mão dupla e ambos devem estabelecer trocas e reciprocidades em tempo a fim de que ajustem seus ponteiros, suas diferenças , suas destemperanças. A fim de que , ainda enquanto haja sentimento , a relação possa ser melhor dosada , melhor experimentada por ambas as partes.

Porque se não ocorrer essa troca , se não ocorrer esse equilíbrio , o Amor passa a morrer de um dos lados e morre mesmo, chega ao fim, por mais bela , bonita , real e intensa que tenha sido uma história e aí poderemos esgotar o prazo de validade desse relacionamento , a partir do momento em que um alimenta , se dá , se doa , enquanto o outro apenas quer o melhor para si mas se esquece completamente de retribuir a esse melhor que o outro lhe dá... E aí o Amor se encerra.


Ao se encerrar um Amor assim , o outro , aquele que recebia o melhor , que sempre ficava com o lado bom do Amor e do Amar não entende porque aquele amado de antes não quer mais permanecer na relação , não quer mais continuar com algo que não lhe alimentava , não lhe supria e fica buscando eternas explicações e considerações de onde só tiramos o óbvio , tiramos aquilo que ele não quer enxergar.

 

Não isentemos aquele ser amante de culpa , porque ele também dispõe de uma certa culpa por não ter tentado fazer o outro enxergar suas enormes faltas , talvez por medo de não mostrar seu "dark side" , não querer nunca magoar o outro e querer manter-se na posição de vítima ou de muito boa pessoa , sei lá... Ambos erraram se o Amor chegou ao fim... Mas o que resta agora é aceitar !

E, mais que tudo , que venham novos amores para ambos, enquanto há tempo e que essas falhas não mais se repitam , que ambos saibam curar suas dores , rever seus conceitos e aprimorar seus relacionamentos a qualquer tempo para que sobrevivam e sejam sempre plenos de afeto. E durem o quanto tenham de durar porque o Amor é assim, não há tempo certo nem de acontecer e muito menos de permanecer, ele simplesmente É , surge e basta.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

A onça e seu anjo - Continuação do conto : A onça e a rocha...


Nossa onça , livre como sempre fora , encantou-se com a descoberta de seu anjo dentro daquela rocha magnífica que encontrara no seio da floresta e, como se estivesse encantada, não conseguia mais afastar-se dele , era uma atração , um desejo de ficar mais junto dele maior que ela e ela não conseguia entender esse seu súbito interesse em estar com aquele anjo, aquele ser divino que até bem pouco tempo ela desconhecia , mas que agora , nesse momento , fazia parte de seu mundo , lhe trazia lembranças de algo que ela não entendia muito bem , mas eram sensações boas , sensações de paz, de amor , de encantamento , de sabedoria , de luz.


Ela logo buscou um meio de se comunicar com o anjo , sim , porque onça não sabe falar língua de anjo e nem anjo sabe falar língua de onça e foi então que ela se lembrou de um sábio que havia passado pela floresta e que , enquanto ela cochilava por entre os arbustos em suas sestas das tardes , ele sentava-se à beira do lago e costumava ler muitos livros em voz alta , como se lesse aos espíritos das florestas e aos animais ali abrigados em suas tocas. E um dia ele lia um livro , enquanto ela cochilava escondida e ela ouvia o que ele lia. Ele falava sobre uma língua universal , falava que existia uma língua por meio da qual todos podiam se comunicar e se entenderem , era a linguagem do Amor. E foi o que ela tentou fazer para comunicar-se com seu anjo, tentava usar a linguagem do Amor.


O sábio , ao ler seu texto, dizia que essa linguagem provinha do coração, do sentimento e era a mais pura essência da Alma , para falá-la não era preciso nenhuma técnica específica. Era preciso apenas nutrir-se dos melhores sentimentos e comunicar-se com a voz do coração.
E nossa onça, de coração mole, como já dissera noutra oportunidade, sabia muito bem o que era usar a voz do coração. E assim ela o fez e começou a se comunicar com o anjo. Dizia tudo o que sentia a ele , dizia o quanto ele era importante ali naquele momento de sua vida , dizia o quanto ela não queria separar-se dele , dizia o quanto ele havia mudado seu sentido de viver, dizia a ele o quanto ela o amava a partir dali e não havia como voltar atrás , como regredir tamanho sentimento.
Mas o fato é que a onça percebeu que o anjo trazia em si uma melancolia , uma dor estranha , contida em si, uma dor incomum aos anjos... e ela percebia isso porque , ao falar com amor ele não retribuia , não do modo como ela queria  , ele bem que tentava , mas era meio confuso , não tornava-se claro em seus sentimentos e , talvez até entendesse ser impossível um amor de onça por anjo e se esquivasse disso ou estivesse confuso em relação ao que sentia. Mas acontece que ele não conseguia dizer e a onça não entendia o porquê ?


Um dia ela resolveu que seria direta. Que não mais usaria a linguagem do Amor para dizer a ele o que queria saber , mas sim , seria direta ao querer saber se , de fato ele gostava dela com todas as palavras assim ditas dessa forma. Ao passo que nosso anjo respondeu , mas respondeu com linguagem de nuvem , num sopro em silêncio e a onça não entendeu... achou desaforo , tanto esmero , tanta dedicação e delicadeza para receber do anjo apenas um sopro , um suspiro , um murmúrio inconsciente...


A onça ficou arrasada e nem sabia mais o que fazer nesse momento. Sentia que seu rumo , a partir dali , deveria ser ao lado daquele anjo amado , mas como , sem saber se ele assim a queria ? Como , sem saber que esse era um desejo dele também , uma vontade em comum ?
E a onça pensava num meio de conseguir que o anjo dissesse um sim , ou um não , mas que fosse claro como água , que fosse realmente sincero , que fosse real e não mais habitasse o mundo das ideias. Ela precisava dessa resposta para continuar ! E não irá desistir até que consiga obter um sinal , para que possa seguir seu caminho : com ou sem seu anjo amado...

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Por onde alcançar um coração...

Como definir, como traçar ou mais pontualmente ainda, como descobrir os caminhos que levam ao coração de alguém ?


Seja para o que for...seja para dizermos "adeus, nosso amor acabou" (difícil, mas extremamente necessário para se encerrar o que não tem mais razão de ser...) , seja para falar "oi, eu cheguei e estou aqui, posso te dar meu carinho?" ou seja para apenas encantar e dizer que a vida pode e deve ser levada de um modo muito mais doce, mais suave, mais leve...que pode ser mais colorida, mais infinita, menos responsável e mais gostosa...
É pelo coração que encaminhamos e dizemos todas essas coisas e o melhor é que tudo seja feito de mansinho, aos poucos, sem até que se possa notar...no caso do amor que chega, pois, no caso do amor que deixa, que está partindo, se faz necessária uma certa urgência para que o tempo não torne mais insuportável ainda a relação que já deixou de existir.
Para o amor que entra, aos poucos vamos nos achegando, nos demonstrando, nos abrindo e...quando o outro (e até nós mesmos) se dá conta... preenchemos todos os espaços ali, antes vazios, tão sem graça, tão sem cores e sem alegria.


Mas esses caminhos do coração nem sempre são fáceis, nem sempre estão acessíveis, nem sempre estão abertos ao nosso contato e, por mais que tentemos, encontramos as portas fechadas, realmente blindadas, um corredor escuro e extenso que nos surpreende pelas paredes úmidas, um tanto quanto mofadas a nos desenhar um terrível cenário. Até mesmo alguns rochedos poderão ser encontrados pelo caminho e a demolição e destruição de todas as pedras se faz necessária.


São os caminhos dos corações dilacerados, partidos e feridos por outros amores, por dores antigas, por perdões esquecidos e aposentados e que hoje estão decorados por teias de aranhas crescidas de tempos remotos e que lá ficaram por não permitirem mais o acesso de ninguém, por medo de sofrer novamente, por receio de novas desilusões, por terem se amargado da vida, por terem desistido de amar.
O acesso pode ser por meio do convivio diário, por meio da poesia, da música, da amizade compartilhada, dos afazeres em comum, do trabalho, das preferências descobertas em suas semelhanças ou das totais diferenças que buscamos como nossos complementos... Não importa...
Esses caminhos são muitos e diversos sendo, os mais obscuros , os que devem ser trilhados com mais cuidado, porque ao retirarmos o lodo, ao deslizarmos pelo limbo que ali se esconde e afastarmos as pedras, devemos limpar as feridas e realizar intensos curativos a fim de que se estanque o sangue, a fim de que se recobre a paz tão inatingível. O maior cuidado, a maior atenção, todas as ferramentas necessárias e ainda, depois de tudo, termos a certeza de que não seremos nós mesmos novamente os instrumentos que poderão, no futuro, machucar esse coração ferido com alguma ação...pouco provável saber, menos ainda previsível, toda cautela aqui se faz necessária e precisa, mas os riscos sempre existem (e é preciso correr os riscos do amor...) e fazem parte do viver.



Mas um aviso deve ser dado, antes de mais nada...só as dores é que nos enaltecem e nos fazem ensinar...através da dor nos fortalecemos e devemos, ao invés de com ela nos escondermos, devemos com ela nos libertarmos, seguir adiante, aprendendo e errando porque em matéria de amor só se aprende e se cresce, experimentando e sentindo todas as suas dores e delícias em cada nova oportunidade.