Quando queremos desenvolver nosso lado mais masoquista , nos colocamos à disposição do sofrimento , que faz e desfaz conosco , principalmente quando diz respeito aos assuntos do coração. Sofremos por nos acharmos vítimas da situação , quando , na realidade somos nossos próprios algozes. Somos aqueles que se lamentam , somos aqueles que choram lágrimas intermináveis , somos os incompreendidos , os coitadinhos , somos os coelhinhos devorados pela raposa velha...

Sequer olhamos à volta e enxergamos o mundo por uma amplitude maior , sequer nos levantamos e sacudimos a poeira rapidamente , porque , muitas vezes , nos atrai isso de amor rimar com dor e ficarmos vivenciando e relembrando situações passadas , tentando entender o que já foi , o que não é mais para ser entendido e sim , para ser esquecido , deixado para trás.

O sofrimento dá a impressão de vulnerabilidade e essa impressão nos conforta , porque , alguns amigos se achegam , acolhem nossas dores , compartilham os momentos tristes , enxugam nossas lágrimas. Mas é só. A escolha pela dor que fica latejando no peito é toda nossa . A decisão de levantar e fazer acontecer é nossa. A decisão de mudar a vibração e partir para outra frequência é nossa. A sensação de achar que nosso umbigo é o centro do Universo e todo o resto gira em torno de nós também é nossa e fazê-la deixar de existir em busca de algo mesmo grande e recompensador , é algo que devemos perseguir imensamente.

É pelas experiências que crescemos e nos fortalecemos , também aprendemos a viver , aprendemos a apurar os sentidos e lapidamos os sentimentos. O sofrimento é necessário sim , a cada etapa que cruzamos com ele nos reerguemos e nos tornamos outros para a próxima , sempre melhores , mas mergulharmos em sua escuridão por tempo indeterminado e nos abandonarmos ao seu bel prazer é opção nossa . O sofrimento deve durar apenas o tempo necessário e não tornar-se um vício em nossa vida nos enchendo de desesperança , tristeza e solidão.

